Há algum tempo, assistindo ao programa do Jô Soares, reparei em uma declaração interessante do apresentador. Ele dizia que existem muitos veados por aí, e que nem sempre os veados são gays. Fiquei com isso na cabeça. Não que eu me interesse por veados ou gays. Só achei interessante. Em parte, achava que ele tinha razão. Quem desfila pelado na avenida Paulista com penas enfiadas no rabo não é só gay, é também veado (pobres animaizinhos, daqui pra frente vou escrever com ‘i’, fica mais característico), e muito viado. Pessoas assim querem ser levadas a sério. Imagine um juíz dando a guarda de uma criança para um casal (dois homens podem ser considerados um casal?) com tal falta de noção de civilidade e pudor. Não estou aqui militando contra os homossexuais. Conheço gays, no sentido bicholeta da palavra, e alguns são pessoas excelentes. Não é só porque fazem uma coisa que eu desaprovo que os considero pessoas melhores ou piores. Conheço pessoas que roubam, que matam, que xingam a mãe, que assistem Dragon Ball e Smallville… nem por isso eu as discrimino. Mas viado é complicado.
Semana passada fui assistir ‘Sex and the city’ no cinema. Parece contraditório, já que eu não sou gay. Óbvio que minha namorada que me levou. Ela gosta. Aliás, gosta muito. Gosta tanto que tem a pachorra até de dizer que a Sarah Jessica Parker é bonita. A mulher é mais pontuda que uma caixinha de palitos Gina! Fã vê cada coisa… Nunca achei muita graça no seriado, mas ela gosta. E conta as peripécias das quatro amigas promíscuas de Nova Iorque de boca cheia. Acho que a Carrie é um tipo de Homem Aranha pra ela. Como eu sempre digo, a lógica das mulheres não tem lógica. O mundo dos homens é tão mais simples. O Aranha vai lá e resolve na porrada. Elas ficam deprimidas e acham que nunca vão encontrar o homem da vida delas. Mulheres…
Gosto e defendo o sistema de ingressos numerados, mas brasileiro consegue acabar com qualquer boa idéia. Como brasileiro sempre deixa tudo pra última hora, quando entramos o cinema estava quase vazio. Não adianta chegar cedo, pois você não vai sentar em um lugar melhor, e já que ninguém vai tirar vantagem de chegar cedo, todo mundo deixa pra entrar 10 minutos depois que as luzes se apagam. E aí vira aquele fuzuê. Ninguém enxerga numeração nenhuma, pisa no pé dos outros, senta em lugar errado, reclamação vira discussão, discussão vira briga e eu perco os maravilhosos conselhos da AGF Seguros. Se acontecer um incêndio e eu não souber o que fazer, a culpa é desses atrasadinhos. E eis que, na poltrona ao lado, se senta um viado.
Agora entendo exatamente o que o Jô queria dizer. O tal cara podia até não ser gay, mas era viado com B maiúsculo. Sim, porque B é a letra mais gay do alfabeto. Boiola, baitola, bixa, bicholeta, borboleta, biba, bambi, Br’oz. Tudo com B. Ele parecia manjar tudo do seriado e das personagens, o que por si só já era um tanto quanto suspeito. Comecei a desconfiar mais quando ouvi ele comentando que os sapatos da protagonista eram lindos. Mas como se não bastasse, a cada marca que aparecia na tela, o danado tinha um orgasmo. Carolina Herrera. “OOOOOOHHHHHHHHHHHHH!!”. Louis Vuitton. “AAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIII!!”. Não conheço mais nenhuma. “UUUUUUUUUUUUUIIIIIII!!”. Cada bolsa, vestido ou sapato que pintava na tela era uma festa hormonal. E é aí que o homossexualismo me assusta.
Pra mim, existem homens e existem mulheres. Fisicamente e psicologicamente, a não ser que você seja hermafrodita ou possua alguma outra disfunção genética que eu desconheço, ou você é homem ou você é mulher. A opção sexual é coisa da sua cabeça. Que eu saiba, opção sexual não tem nada a ver com gênero. Cada um usa o anel pro que bem entender. Cada um enterra a mandioca na horta que quiser. E que seja feliz, não tenho nada a ver com isso. Mas, que eu saiba, homem se veste como homem e mulher se veste como mulher. Aí que os viados se diferenciam dos gays. Nosso amigo que não sabe se comportar dentro de um cinema entrava em êxtase quando via alguma peça do vestuário feminino na tela. Será possível que ele sonhava em usar os vestidos, sapatos e bolsas do filme? Será que um cara consegue colocar na própria cabeça que é tão homossexual que deseja ser uma mulher? Se comportar como uma? Se vestir como uma? Isso é viado, dotô! Por que a filha da Gretchen, pra mostrar que gosta de mulher, precisa se vestir como um homem? Ela é mulher, não é? Se gosta de briga de aranha é outra questão.
Esse tipo de homossexual, o viado, parece sofrer de um grave problema de auto-aceitação. Ele precisa externar sua opção sexual pra que cada indivíduo do mundo saiba o que ele é. Pra mim isso é coisa de quem não se aceita. Cada novo grito era uma declaração em alto e bom som: “Eu dou o toba e estou gritando no cinema. Olhem pra mim! Se eu pudesse eu me vestiria como os integrantes do Twisted Sister e sairia cantando ‘I will survive’ no meio do Morumbi lotado”. Se você é gay, problema o seu, amigão. Opção sua. Eu gosto de algumas músicas da Marjorie Estiano e nem por isso saio gritando por aí pra todo mundo conhecer e aprovar o meu mau gosto. O engraçado é que o homossexualismo ainda é um tabu tão grande que ninguém reclamou do tal sujeito, apesar de ele ter atrapalhado todo mundo com seus gritos e risadas histéricas. “Eu não amor, vão achar que sou preconceituoso”.
Como reclamei do seriado, preciso deixar aqui minhas impressõe sobre o filme, senão a Larissa (é o nome da minha digníssima) me mata: achei ótimo. É sensível e engraçado na medida certa. Algumas das subtramas são muito boas, com destaque para Miranda e o marido dela, de quem sempre esqueço o nome. Traição e perdão sempre me comovem. São assuntos complicados. Tá certo que choro até vendo propaganda da Imbra, mas confesso que chorei umas três ou quatro vezes durante o filme. Mas ainda continuo muito macho. Não fiquei com vontade de usar nenhum sapato da Carrie. Na verdade, transformaria o closet dela em uma bela sala de entretenimento, com estantes para meus DVDs, gibis e vídeo-games. Roupa é só pano pra cobrir nossas vergonhas, no sentido bíblico da palavra.
A única coisa que me incomodou foram as cenas de nudez. Extremamente desnecessárias. Eram tão fortes que pareciam feitas por atores pornô de verdade. Não duvido que estivesse acontecendo penetração realmente durante as gravações, de tão explícitas que eram. O filme chega ao absurdo de mostrar um nu frontal masculino com a mesma cara de pau com que a Record coloca dinossauros em sua novela e acha tudo normal. Há uns dois anos li um crítico de cinema dizendo que, em breve, chegaria o dia em que as pessoas encarariam numa boa cenas de nudez e sexo explícito em grandes blockbusters. Esse dia chegou. A classificação do filme é 14 anos e temos uma cena de nu frontal masculino. Como diria a esposa do reverendo Lovejoy, “Será que ninguém pensa nas criancinhas?”.
O mais engraçado é que o tal viado não deu um pio quando a piroca do ator apareceu na tela. O negócio dele é sapato. Cada um com seu fetiche, né? Vai ver ele só é viado mesmo, e não gay. Ou talvez ele seja ativo, vai saber. Ainda bem que antes do filme não passou aquela propaganda do KY que andam veiculando na TV. Não quero nem saber qual seria a reação dele.
No mais, um pedido: no cinema, faça silêncio. É o mínimo que se exige de alguém com o mínimo de educação.
Ah, e hoje a gente faz dois anos de namoro. Parabéns pra nós. Te amo muito.
15 Comentários
18/Junho/2008 às 12:25 pm
Ahh menino bom mesmo que vc falou bem do filme viu….e elas não são promíscuas…hehehe…não fala mal delas….ahhh e a Sarah Jessica Parker é bonita sim, não acho isso só porque sou fã……uma coisa eu concordo com vc é um exagero as cenas de sexo e as grifes que aparecem toda hora.
Ahhh e a Carrie é bem melhor que o seu homem aranha tá…..ela pelo menos não tem cara de retardada agora ele….
Bom…eu também te amo muito e parabéns para nós.
Obrigada por fazer parte da minha vidinha menino lindo…
beijos amo vc
18/Junho/2008 às 6:20 pm
Não são promíscuas? E a Samantha, é uma moça de família?
19/Junho/2008 às 12:37 am
São apenas boas moças procurando o verdadeiro amor. Neste ínterim, elas dão pra todo mundo.
19/Junho/2008 às 12:51 am
Tá bom eu concordo que a Samantha é só um pouquinho promíscua…mas só um pouquinho….
24/Junho/2008 às 7:44 pm
Ja cheguei a assistir alguns episódios do seriado, mas num foi o suficiente pra me levar pro cinema.
Acho que é algo feito exclusivamente pra agarrar o publico feminino (e aos gays, viados e etc), e fazer com q eles sonhem aquilo pra vida deles.
Tenho uma irmã mais velha (ninguem é perfeito), q tb é viciada nisso. C uma das personagens faz algo de diferente na vida, ela vai no embalo.
Acho isso ridiculo e até poderia falar pra ela, mas tipo, eu tenho q me divertir tb.
24/Junho/2008 às 9:44 pm
O que? Você não gosta de Smallville? PÕ, é bem legal.
E nem assistiu Dragon Ball Z? Cara, é um baita dum anime!
24/Junho/2008 às 9:49 pm
HUAHUAUHAUHUAHUHAUHAUHA
Hilário!
24/Junho/2008 às 9:49 pm
Ótimos raciocínios!
24/Junho/2008 às 9:53 pm
Com certeza o respeito ao próximo é algo que falta numa sala de cinema de vez em quando.
24/Junho/2008 às 9:55 pm
Só explicando:
Postei tantos comentários assim porque conforme fui lendo o texto tive reações diferentes a cada parágrafo.
Mas nenhuma reação homossexual, ok?
Também respeito os homossexuais, mas o meu negócio é mulher, ou melhor, a minha mulher.
Um abraço!
25/Junho/2008 às 2:53 am
Parafraseando alguém, que eu não lembro quem é, Smallville é uma mancha na história do Superman. Só para constar.
2/Julho/2008 às 6:30 pm
Fernaaaaaaaaando! eu me racho de rir das suas opiniões,sempre tão simpáticas e realistas ao mesmo tempo e sempre usando esses termos,bem caracteristicos de estudantes de jornalismo.
Bom na verdade,também gosto de sex and the city,mas só porque eu sou mulher…Pois eu acho esse seriado muito contraditório,afinal mulheres chiques e inteligentes (como trata o seriado) não estão desesperadas por homens.
prefiro Two and a half man,mas como nunca fazem um filme com meus seriado favoritos,vamos de sex and the city…hahahaha
PS: ahhh e a Sarah é linda e os sapatos também!
3/Julho/2008 às 1:31 am
É verdade. Me falaram isso esses dias. Mulheres independentes, chiques, descoladas, inteligentes e magras (hehe) não perdoam um cara que as abandona no altar, não perdoam quem trai só porque o sexo está passando por um período difícil etc. etc.
Ainda bem que você consegue ver isso também, porque tá cheio de mulher que acha que isso é reclamar e botar defeito no seriado que, eu admito, é legal mesmo. Eu não gosto, mas só porque sou homem.
3/Julho/2008 às 9:20 pm
[...] segundo texto, intitulado Sex and The Cinema, o autor expõe suas idéias com relação ao respeito pelo próximo dentro de uma sala de cinema, [...]
24/Novembro/2009 às 2:11 pm
Esse seriado é uma grande porcaria!!! Prefiro assiste Smallville ou OC. Assisti alguns episódios, as personagens principais mudam de parceiros sexuais como mudam de roupa e sempre há uma, duas ou três cenas de sexo por capítulo. A trilha sonora dessa série deveria ser composta por aqueles músicas ponográficos cantandos nos bailes funks cariocas.